O combate à dengue exige que as medidas preventivas sejam intensificadas durante a estação mais quente do ano. A combinação de calor intenso e chuvas regulares, típica do verão, cria um ambiente propício para a multiplicação de casos de dengue e de outras doenças transmitidas por mosquitos, como zika e chikungunya. Em países de clima tropical, incluindo o Brasil, os picos dessas arboviroses geralmente ocorrem na transição entre o fim e o início do ano.
Conforme explica a bióloga Lívia Marini Palma, da Vigilância Ambiental de Vitória, o clima quente e a instabilidade atmosférica do período estimulam as chuvas, exigindo vigilância extra para evitar qualquer acúmulo de água parada.
O aumento das temperaturas a partir de setembro e outubro acelera o ciclo de vida do Aedes aegypti. Isso permite um desenvolvimento mais rápido dos ovos e amplifica a atividade dos insetos, elevando o risco de transmissão viral.
“Com o aumento do volume de chuvas, cresce também a probabilidade de formação de poças e reservatórios de água. A água da chuva pode se acumular em vasos de planta, pneus, calhas entupidas e objetos descartados inadequadamente ao ar livre. Esses locais funcionam como criadouros ideais para a postura de ovos e a proliferação do mosquito”, acrescenta a especialista.
De acordo com Aline de Sousa Areias, enfermeira e referência técnica em arboviroses, a dengue representa um desafio significativo para a saúde pública. Por isso, eliminar os locais de reprodução do vetor continua sendo a principal estratégia de prevenção.
“É fundamental que a população mantenha tampados os recipientes que podem acumular água, faça a limpeza periódica de calhas e ralos e descarte de forma adequada materiais inservíveis. A Secretaria Municipal de Saúde de Vitória também destaca a importância de reconhecer os sintomas e buscar atendimento médico imediato, ações essenciais para reduzir complicações e mortes”, enfatiza.
Sintomas
- Febre alta;
- Dor de cabeça intensa;
- Fraqueza ou cansaço extremo;
- Dores musculares e nas articulações;
- Náuseas e vômitos;
- Manchas vermelhas na pele (exantema).
Sinais de alerta para gravidade da doença
- Dor abdominal forte e contínua;
- Vômitos persistentes;
- Sangramentos espontâneos (nas gengivas, nariz, urina ou fezes);
- Sono excessivo, irritabilidade ou confusão mental;
- Tontura ou sensação de desmaio, entre outros.
Diante de qualquer suspeita de dengue, é necessário procurar sem demora a Unidade de Saúde de referência para avaliação e acompanhamento adequados.
Fumacê
A Prefeitura de Vitória, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, realiza durante todo o ano a aplicação espacial de inseticida, popularmente conhecida como “fumacê”, em diversos bairros da cidade, para reforçar o combate ao Aedes aegypti.
Os itinerários do fumacê são planejados pelo Centro de Vigilância em Saúde Ambiental e podem ser consultados no Portal da Prefeitura, na seção dedicada ao Combate ao Mosquito. O cronograma para janeiro de 2026 já está disponível.
A administração municipal também oferece o monitoramento em tempo real do deslocamento do fumacê, permitindo que os cidadãos acompanhem a circulação do serviço. Todos esses roteiros podem ser visualizados na página de Monitoramento do Fumacê.
Conforme dados do Ministério da Saúde, cerca de 80% dos focos do mosquito são encontrados dentro das residências. Portanto, a colaboração de todos é imprescindível no enfrentamento ao vetor. Um checklist com orientações para combater focos do mosquito em casa está disponível para consulta.
Agentes de Combate às Endemias (ACE)
Para o controle do Aedes aegypti, os Agentes de Combate às Endemias realizam visitas regulares a todos os imóveis do município, incluindo casas, comércios, terrenos e lotes.
Nessas visitas, os agentes localizam e removem potenciais criadouros do inseto. Quando a eliminação não é possível, eles tratam os recipientes com larvicidas, impedindo que as larvas se desenvolvam até a fase adulta.
Além das atividades de controle, os ACEs orientam os moradores sobre práticas preventivas e cuidados com os imóveis, destacando a importância do envolvimento da comunidade para reduzir o risco de proliferação do vetor.
Os cidadãos também podem solicitar a visita de um Agente de Combate às Endemias pelo telefone 156.




